Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
Reparo atrasado
Ironia do destino, o Miguel Portas deixou-nos em véspera do 25 de Abril, dia que ele comemorava sempre descendo a Avenida de cravo em punho. O mesmo cravo vermelho que, este ano, os ministros, oportunistas e com uma lata do tamanho do mundo, ostentavam nas lapelas no lugar das bandeirinhas. Cravos, bandeirinhas, o nome de Portugal na boca, são os mesmos que, como disse Mário Soares, estão a vender o nosso país a retalho.
Outra vez telenovelas
Voltei a ver a telenovela «Rosa Fogo» que elogiei aqui, nos primeiros tempos de exibição. E fiquei desiludida. A história que, de inicio parecia conter todos os ingredientes para ser uma novela diferente, lá anda a mastigar, a fazer render o peixe, com algumas cenas sem ponta por onde se lhes pegue. O tal «José» é mau demais para ser verdade, a tal Eduarda é parva demais para ser verdade, o tal Estevão parece que vai dedicar-se à música o que só lhe fica bem. Quando ao intermezzo cómico (há sempre uns cómicos para desanuviar)ñão tem pés nem cabeça, não tem graça, e há por ali actores que, coitados, bem se esforçam para levar a carta a Garcia mas não levam carta nenhuma. Isto para não falar daquela grávida que desaparece do convivio da familia para poder dar à luz e aparece com uma criança e curada do cancro!!! Melhor não faria o transmontano padre Fontes...
Quinta-feira, 5 de Abril de 2012
Festas de Janas
Uma das crónicas de Miguel Esteves Cardoso desta semana (in Público) falava do pinhal de Janas e da sua capela circular, que conheço bem. Na crónica , recordando o recem falecido António Tabucchi, diz-se que , nas festas de Janas, é costume os ciganos levarem os seus animais até à capela em busca da benção. Rectifico: não são só os ciganos que ali levam os seus animais. São todos os habitantes das redondezas que os enfeitam com grinaldas e fitas coloridas e os levam a dar voltas à capela e esperam depois pela bênção. Em Agosto as Festas de São Mamede em Janas são ponto de encontro de naturais e turistas em férias. E, no momento em que escrevo isto, tenho saudades das filhós e do vinho doce que ali bebia sempre que ia à Festa.
Quarta-feira, 28 de Março de 2012
As touradas
Não sou a favor nem contra as touradas, embora não goste de ver aquele triste espectáculo do toureiro espetando farpas no touro quase até à morte. Não frequento nem vejo touradas. Passo adiante. Só que me chega a informação, através do Público, de que o Estado, através dos municipios, apoiam com subsídios alguns espectáculos taurinos. Fiquei intrigada. Como é que se corta em tanta coisa útil e necessária e se apoia um espectáculo destes? A Casa do Povo de uma freguesia de Santarem chegou a apoiar com mais de 80 mil euros as obras da praça de touros local! Não haveria mais nada de que a Casa do Povo precisasse?
Berardo-Viegas
Tenho seguido com alguma atenção o imbroglio Joe Berardo- Francisco José Viegas. E para mim a surpresa tem sido o Francisco José Viegas, com quem convivi durante algum tempo, de quem fui amiga, e que nunca imaginei ver sentado na cadeira do poder. Fraco poder é certo, sem dinheiro, sem grande poder de decisão e, aprendendo depressa os tiques dos governantes a prazo. Não entendo algumas considerações de Viegas em relação à Colecção Berardo. Já disse e desdisse, já deu a entender que há mais «colecções Berardo» no mundo, enfim, este Francisco não é o que eu conheci...Joe Berardo não é politicamente correcto, diz o que lhe vem à cabeça, não sabe usar as palavras que usam e de que abusam os políticos, mas ao ouvi-lo não podemos deixar de lhe dar razão. Por mim só tenho que lhe estar grata por me ter mostrado a arte que colecciona e sem gastar um tostão. É um mecenas acho eu. Mesmo que o Viegas (é assim que ele trata o Secretário de Estado da Cultura) não esteja para aí virado...
O Grande Teatro do Mundo
Foi uma bela ideia da RTP ter apresentado o Grande Teatro do Mundo. Com apresentação de Catarina Furtado e Diogo Infante (olá, Diogo!)pudemos ver e ouvir em pequenos textos escolhidos actores tão diferentes como Maria João Luís e Gonçalo Amorim, João Reis e Sylvie Rocha, Carla Chambel e Luisa Cruz. Enfim, mais de vinte actores vieram até nossas casas lembrar que o Teatro está vivo e recomenda-se, mesmo que os políticos não lhe liguem peva. Gostei de rever Adelaide João e Lia Gama (por onde andam?) e o Jorge Silva Melo ao lado da Sylvie e o João Mota num breve mas muito incisivo texto bem teatral.Para fecho do programa , um Luís Miguel Cintra lendo como só ele sabe um texto de Jean Genet para Roger Blin. Tudo perfeito. Obrigada, RTP!
Quinta-feira, 22 de Março de 2012
Há livros assim
Há livros assim, quero eu dizer há livros que não nos largam ou nós não os largamos. Lembro-me de umas férias ter levado comigo uma meia dúzia de livros mas não largar, durante os quinze dias na Zambujeira do Mar, um livro de Cesare Pavese, «Trabalhar Cansa» e dois outros, pequenos, de Tonino Guerra, «O Livro das Igrejas Abandonadas» e «Histórias para uma noite de Calmaria». O primeiro era uma edição da Cotovia, os outros dois da Assírio e Alvim de boa memória.
Leio agora a notícia de que Tonino Guerra morreu e fui recuperar os dois livrinhos que não me canso de ler. Transcrevo aqui um pequeno texto que Tonino dedicou ao realizador André Tarkovsky (com quem escreveu o argumento de «Nostalgia»):
As Folhas da Cerejeira
Por cima de Casteldeci há uma igreja sem tecto e as paredes têm entre os braços uma cerejeira que cresceu no chão e cujos ramos tocam o céu-
Em Abril floresce e a brancura desliza da árvore até ao fundo do vale, depois nascem os frutos e comem-nos os melros e os pássaros bravos, entretanto as folhas ficam vermelhas e uma de cada vez caem ao chão.
Se alguém assoma àquelas paredes com o desejo de pedir um milagre e há uma folha que cai nesse momento é sinal que de lá de cima terá uma resposta boa.
Tarkovsky passou lá em Novembro e precisava de fazer um pedido grande, mas as folhas já tinham caído todas e serviam de cama a duas ovelhas que dormiam.
Se fosse agora o tempo das folhas vermelhas das cerejeiras, eu gostava de pedir um milagre para ter lá de cima uma resposta boa. Neste dia 22 de Março.
Sexta-feira, 9 de Março de 2012
A lata de Jardim
Alberto João Jardim nunca perde ocasião de estar calado. Agora veio à praça dizer que concorda com tudo o que disse Cavaco Silva sobre Sócrates e o PS. E repete: «o que o prof. Cavaco Silva disse é evidente... toda a gente sabe o estado em que ficou o País.» Vindas de quem vêm e depois de sabermos o que ele fêz na Madeira e do estado em que ficou a «sua» ilha, olhem que é precisa muita lata para vir a terreiro botar fala. Incontinente este senhor...
Agora os táxis
Não sei de quem foi a ideia mas a noticia diz que, a partir de agora, só taxistas com boa apresentação e carros recentes vão trabalhar no Aeroporto da Portela. No resto da cidade, calculo, seja o que Deus quiser... Lembrei-me logo de um ditado popular muito citado pela minha mãe: «por cima tudo são rendas, por baixo nem fraldas tem»!
Quinta-feira, 8 de Março de 2012
Olha a novidade
Rui MOreira, o homem do Norte, disse na Televisão que não recusaria ser candidato a presidente da Camara do Porto. Acho óptimo. «Nem sim, nem não...só não seria mesmo presidente do Benfica...» Olha a novidade. Nem nós, os benfiquistas, queríamos, ó Rui!