Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
Saudades do Hermínio
Hoje andei à procura de um livro de poesia que tinha a certeza de ter nas estantes. Lembrava-me bem da noite em que, a jantar no velho «Primeiro de Maio», o Hermínio Monteiro se sentou ao meu lado e me ofereceu o livro. «Toma, trouxe-o mesmo agora da tipografia...» E como estava feliz o meu amigo. Ora é exactamente do Hermínio e da sua «Assírio e Alvim» que me apetece falar. E perguntar: Que é feito da imaginação, do trabalho apaixonado da editora quando o querido amigo Hermínio Monteiro era o cérebro e o «faz-tudo» da Casa da Poesia? A tal Leya engoliu tudo? Tenho saudades das descobertas que fazia na loja da António Pedro, dos poetas que descobri por lá, das sessões que organizavam ao fim da tarde, das paredes forradas de pintura. No fundo, no fundo, tenho saudades do Hermínio Monteiro.


publicado por Babão às 00:49
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O fiel amigo
Gosto de bacalhau. Gosto dele de todas as maneiras. Dizem que há mil maneiras de o cozinhar. As minhas melhores receitas são três: bacalhau à moda da espanhola, bacalhau à moda do Luís (este foi o Sttau Monteiro que me ensinou) e os famosos pasteis de bacalhau que, segundo o meu neto, estiveram anos a fio no primeiro lugar dos melhores... Gosto de bacalhau de toda a maneira... menos do «confitado com mel e amendoas». Confitado? O bacalhau? Deixem o coitado em paz ao lado da boa batatinha, dos bróculos, do grelo de couve. Com alho e azeite, muito e bom azeite


publicado por Babão às 00:40
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Um repórter corajoso
Rui Araujo , com a sua voz inconfundível, voltou aos seus trabalhos esforçados, não forçados. Na TVI. Eu sou admiradora confessa de Rui Araujo e era um desperdício deixá-lo por aí à solta. Quando vejo e oiço as suas reportagens desassombradas imagino, como diz o povo, quantos não estarão a rezar-lhe pela pele. Rui Araujo é um repórter corajoso.


publicado por Babão às 00:27
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012
A Flor da Solidão

Há muito que não venho aqui, a este Campo Grande onde desabafo como Deus quer.

Mas hoje não resisti. Lia o poeta Ruy Belo e encontro esta «Flor da Solidão» que quero partilhar com alguém.

«Vivemos convivemos resistimos

cruzámo-nos nas ruas sob as árvores

fizemos porventura algum ruido

traçámos pelo ar tímidos gestos

e no entanto por que palavras dizer

que o nosso era um coração solitário

silencioso profundamente silencioso

... que nome dar agora ao vazio

que mana irresistível como um rio?

Ele nasce engrossa e vai desaguar

e entre tantos gestos é um mar

Vivemos convivemos resistimos

sem saber que em tudo um pouco nós morremos»

 

Este o pedaço de um poema de Ruy Belo que não podia ser outro nesta hora.

 

E como dizia outro poeta dos meus dias silenciosos, «vai com as aves»...

 



publicado por Babão às 18:07
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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011
O que se ouve e o que se lê

Sem mais delongas:

 

1 - Nada que a empresa não «prevesse»

 

2 - «Voçês»

 

3 - A forma como «obteu» o golo

 

4 -  «Segue já a seguir...»

 

5 -  «azafema»

 

6 - «sobre o signo de...»

 

7 -  «tratam-se de...»



publicado por Babão às 21:08
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Soares continua fixe!

Ah, grande Mário Soares! Livro novo, entrevistas e conversas várias e o homem ali para as curvas. Bravos 87 anos!

Gostei muito da conversa que ele teve com o Vítor Gonçalves (apareça mais vezes, ó Vítor!).

Este homem tem mundo , tem memória, tem classe até quando se deixa dormitar ao ouvir oradores chatos e sem chama. Soares continua fixe.



publicado por Babão às 21:01
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As telenovelas

Falemos de telenovelas. Falemos de «Rosa Fogo», uma história com todos os ingredientes para agradar ao público. Tem os bons , os maus, os péssimos e os assim-assim- O elenco é bom. Há polícias e traficantes, há mulheres bonitas e homens feios, ingénuas e espertalhonas, tímidos e cómicos, há bailarinas, traições, mentiras e amores para todos os gostos. Há até um russo paciente e umas vistosas cataratas do Iguaçu.

Tenho seguido, sem grande afinco o desenrolar da história mas começo a ficar um bocadinho farta daquele José que é mau de mais para ser verdade... E estou à espera do que vão fazer com o Joaquim de Almeida que, creio, não veio de Hollywood para despencar cataratas abaixo...

Uma coisa é certa e é muito boa. Os nossos actores (os bons e os maus e os assim assim) têm trabalho e isso não é coisa de somenos.



publicado por Babão às 20:37
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
Um documentário para guardar

Vi o último documentário da Anabela Saint-Maurice na RTP 2. Não sei se estes  trabalhos também não agradam a gente como o José Manuel Fernandes, o Eduardo Cintra Torres ou o João Duque, mas, enquanto o primeiro ministro Miguel Relvas, perdão o segundo ministro Relvas estuda o relatório dos «sábios», vamos tendo gente como Anabela Saint-Maurice que arrisca mais uma hora de televisão com o prof Eduardo Lourenço. E que hora! Anabela deixou o professor falar à vontade, respeitou os seus silêncios, penso até que se riu por fora com alguns comentários do pensador, levou-o à terra, subiu com ele a serra, caminhou por aqueles caminhos que ele escolheu, integrou no passeio o escritor Gonçalo M. Tavares, a Hélia Correia, enfim, ainda bem que eu não segui o conselho de Eduardo Lourenço nno seu livro «Esplendor do Caos» e não «apaguei simplesmente a famosa caixa mágica». Deixo a Anabela as palmas pelo seu belíssimo documentário e vou reler este fabuloso «Esplendor do Caos». Obrigada aos dois, a Anabela Saint-Maurice e a Eduardo Lourenço!



publicado por Babão às 00:30
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011
Conversas sobre o futuro

Chamam-se «Conversas sobre o futuro» e são patrocinadas pelo Banco Sabadell. A revista do jornal El País, que se publica ao sábado, edita estas Conversas que põem frente a frente personalidades de campos diferentes. A última «Conversa sobre o futuro» aconteceu entre o treinador do Barcelona, Pep Guardiola, e o realizador de cinema, Fernando Trueba. Quando Trueba pergunta a Guardiola se tem planos para o futuro, este responde: « Se continuarem a querer-me e me apetecer, continuarei. Há que decidir em função do que se vai passando». Fernando Trueba diz: «O meu plano é continuar a contar filmes aos amigos do meu bairro. Conversar com eles, ir jantar, envelhecer o melhor possível como o vinho.»

Outras conversas já publicadas: Luz Casal - Geraldine Chaplin, Estrela Morente - Luis Rojas Marcos, entre outras.



publicado por Babão às 21:06
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O ministro e o professor crítico

Leio no jornal Público de há dias uma prosa altamente crítica do prof. Santana Castilho ao ministro Nuno Crato. Castilho, deve lembrar-se, foi um dos mais fervorosos admiradores de Crato. Agora, a poucos meses da posse de ministro, a desilusão de Santana Castilho fica bem explícita no artigo que publicou no jornal. Começa por lhe mudar o nome para Nuno Cortes e quanto a projectos, ideias, reformas, objectivos, Santana Castilho não

precisa de muita investigação pois Nuno Crato, em entrevista ao mesmo Público, disse a propósito de tudo e de nada: «está tudo em aberto», «não consigo quantificar», «vamos pensar nisso», «ainda não», «estamos a estudar», «temos de ver», «vamos ter de repensar».

Leio a crónica de Santana Castilho e fico esclarecida quanto ao que vale o outrora crítico Nuno Crato, agora ministro.

E lembrar-me eu daqueles 200 mil professores que desceram a avenida contra a ministra de então. Onde estão eles agora? Onde se meteram?

 



publicado por Babão às 20:34
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