Há muito que não venho aqui, a este Campo Grande onde desabafo como Deus quer.
Mas hoje não resisti. Lia o poeta Ruy Belo e encontro esta «Flor da Solidão» que quero partilhar com alguém.
«Vivemos convivemos resistimos
cruzámo-nos nas ruas sob as árvores
fizemos porventura algum ruido
traçámos pelo ar tímidos gestos
e no entanto por que palavras dizer
que o nosso era um coração solitário
silencioso profundamente silencioso
... que nome dar agora ao vazio
que mana irresistível como um rio?
Ele nasce engrossa e vai desaguar
e entre tantos gestos é um mar
Vivemos convivemos resistimos
sem saber que em tudo um pouco nós morremos»
Este o pedaço de um poema de Ruy Belo que não podia ser outro nesta hora.
E como dizia outro poeta dos meus dias silenciosos, «vai com as aves»...
Sem mais delongas:
1 - Nada que a empresa não «prevesse»
2 - «Voçês»
3 - A forma como «obteu» o golo
4 - «Segue já a seguir...»
5 - «azafema»
6 - «sobre o signo de...»
7 - «tratam-se de...»
Ah, grande Mário Soares! Livro novo, entrevistas e conversas várias e o homem ali para as curvas. Bravos 87 anos!
Gostei muito da conversa que ele teve com o Vítor Gonçalves (apareça mais vezes, ó Vítor!).
Este homem tem mundo , tem memória, tem classe até quando se deixa dormitar ao ouvir oradores chatos e sem chama. Soares continua fixe.
Falemos de telenovelas. Falemos de «Rosa Fogo», uma história com todos os ingredientes para agradar ao público. Tem os bons , os maus, os péssimos e os assim-assim- O elenco é bom. Há polícias e traficantes, há mulheres bonitas e homens feios, ingénuas e espertalhonas, tímidos e cómicos, há bailarinas, traições, mentiras e amores para todos os gostos. Há até um russo paciente e umas vistosas cataratas do Iguaçu.
Tenho seguido, sem grande afinco o desenrolar da história mas começo a ficar um bocadinho farta daquele José que é mau de mais para ser verdade... E estou à espera do que vão fazer com o Joaquim de Almeida que, creio, não veio de Hollywood para despencar cataratas abaixo...
Uma coisa é certa e é muito boa. Os nossos actores (os bons e os maus e os assim assim) têm trabalho e isso não é coisa de somenos.
Vi o último documentário da Anabela Saint-Maurice na RTP 2. Não sei se estes trabalhos também não agradam a gente como o José Manuel Fernandes, o Eduardo Cintra Torres ou o João Duque, mas, enquanto o primeiro ministro Miguel Relvas, perdão o segundo ministro Relvas estuda o relatório dos «sábios», vamos tendo gente como Anabela Saint-Maurice que arrisca mais uma hora de televisão com o prof Eduardo Lourenço. E que hora! Anabela deixou o professor falar à vontade, respeitou os seus silêncios, penso até que se riu por fora com alguns comentários do pensador, levou-o à terra, subiu com ele a serra, caminhou por aqueles caminhos que ele escolheu, integrou no passeio o escritor Gonçalo M. Tavares, a Hélia Correia, enfim, ainda bem que eu não segui o conselho de Eduardo Lourenço nno seu livro «Esplendor do Caos» e não «apaguei simplesmente a famosa caixa mágica». Deixo a Anabela as palmas pelo seu belíssimo documentário e vou reler este fabuloso «Esplendor do Caos». Obrigada aos dois, a Anabela Saint-Maurice e a Eduardo Lourenço!
Chamam-se «Conversas sobre o futuro» e são patrocinadas pelo Banco Sabadell. A revista do jornal El País, que se publica ao sábado, edita estas Conversas que põem frente a frente personalidades de campos diferentes. A última «Conversa sobre o futuro» aconteceu entre o treinador do Barcelona, Pep Guardiola, e o realizador de cinema, Fernando Trueba. Quando Trueba pergunta a Guardiola se tem planos para o futuro, este responde: « Se continuarem a querer-me e me apetecer, continuarei. Há que decidir em função do que se vai passando». Fernando Trueba diz: «O meu plano é continuar a contar filmes aos amigos do meu bairro. Conversar com eles, ir jantar, envelhecer o melhor possível como o vinho.»
Outras conversas já publicadas: Luz Casal - Geraldine Chaplin, Estrela Morente - Luis Rojas Marcos, entre outras.
Leio no jornal Público de há dias uma prosa altamente crítica do prof. Santana Castilho ao ministro Nuno Crato. Castilho, deve lembrar-se, foi um dos mais fervorosos admiradores de Crato. Agora, a poucos meses da posse de ministro, a desilusão de Santana Castilho fica bem explícita no artigo que publicou no jornal. Começa por lhe mudar o nome para Nuno Cortes e quanto a projectos, ideias, reformas, objectivos, Santana Castilho não
precisa de muita investigação pois Nuno Crato, em entrevista ao mesmo Público, disse a propósito de tudo e de nada: «está tudo em aberto», «não consigo quantificar», «vamos pensar nisso», «ainda não», «estamos a estudar», «temos de ver», «vamos ter de repensar».
Leio a crónica de Santana Castilho e fico esclarecida quanto ao que vale o outrora crítico Nuno Crato, agora ministro.
E lembrar-me eu daqueles 200 mil professores que desceram a avenida contra a ministra de então. Onde estão eles agora? Onde se meteram?
. O que se ouve e o que se ...
. Um documentário para guar...
. O ministro e o professor ...